Resfriado, gripe ou pneumonia?

Saiba as principais diferenças e proteja-se!

Shana Rocha Nazário

A coriza é um dos principais sintomas da gripe (Foto: Shana R. Nazário)

Muitas vezes, um simples resfriado se transforma em gripe e, por falta de cuidado, evolui para uma pneumonia. O resfriado e a gripe são infecções nas vias aéreas superiores (cavidade nasal, faringe e laringe), e a pneumonia, em muitos casos, é uma complicação dessas infecções, mas que se localiza nas vias aéreas inferiores (traquéia, brônquios e pulmões). Veja as principais diferenças abaixo e saiba como se prevenir:

Resfriado

O resfriado é causado principalmente pelo vírus Rinovírus, que são os mais comuns agentes virais infecciosos em humanos e causadores de mais de 50% de casos de resfriado comum. Os sintomas do resfriado surgem do primeiro ao terceiro dia após o contato da pessoa com o vírus e podem durar até uma semana. Para uma pessoa se contaminar, é preciso que o vírus entre em contato com o revestimento interno do nariz ou que chegue até os olhos ou boca, aproximando-se, assim, da mucosa nasal. Outra forma de contágio bastante comum é através de outra pessoa já resfriada. Para isso, basta que essa espirre ou tussa sem colocar a mão na frente, ou também através de objetos compartilhados, como copos e toalhas. Os sintomas mais comuns do resfriado são:

  • Coriza (secreção nasal);
  • Espirros, tosse, garganta inflamada;
  • Diminuição do olfato e da gustação;
  • Voz anasalada;
  • Rouquidão;
  • Febre baixa em adultos (bastante incomum) e febre alta em crianças;
  • Dores pelo corpo e de cabeça;

Em razão da grande variedade de vírus, não existem ainda vacinas para proteger as pessoas dessas viroses, mas os resfriados são auto-limitados, ou seja, independente de usar medicações ou não, em poucos dias as pessoas melhoram.

Gripe

A gripe, também conhecida por influenza, é uma das doenças respiratórias mais comuns entre as pessoas e tem sintomas bastante parecidos com os do resfriado. A duração da gripe costuma ser de cinco a sete dias e deve ser tratada com bastante hidratação, alimentação saudável e com o uso de remédios sintomáticos. O vírus influenza tem uma capacidade muito grande de mudança nas características, por isso uma pessoa tem vários episódios de gripe ao longo dos anos. O vírus da gripe é agrupado em três tipos: A, B e C, sendo que os do tipo A e B são os que mais causam infecções em humanos. A característica mais marcante do vírus influenza é que ele é capaz de se modificar constantemente, sofrendo mutações. Essas variações e a rápida disseminação fazem com que existam epidemias e pandemias de gripe, contaminando milhares de pessoas e, em alguns casos, levando à morte.

A gripe se assemelha com o resfriado pela similaridade de alguns sintomas, tais como: congestão nasal, coriza, os espirros e a dor de garganta freqüentes, além de tosses e dores pelo corpo. O que diferencia os dois é o fato de que os sintomas da gripe se manifestam repentinamente nas pessoas infectadas, e no resfriado eles demoram um pouco mais para aparecer e desaparecem mais rapidamente. Em crianças, a febre alta é de 39.5º a 40.5ºC e nos adultos acima de 38ºC.

Quando os sintomas mais graves aparecem – como suor, calafrios, dores de cabeça, tosse seca, dores musculares, fadiga e perda de apetite – é bom procurar um médico e usar medicamentos recomendados para esses casos. Se a tosse vier acompanhada de catarro, a febre estiver alta e o paciente sentir dor nos pulmões, cuidado, pois podem ser sintomas de pneumonia.

Pneumonia

A ausculta pulmonar é o método básico para o exame dos pulmões (Foto: Shana R. Nazário)

 A pneumonia pode ocorrer sem sintomas gripais, mas se torna mais grave quando decorre de uma gripe mal curada ou até mesmo de um resfriado. Ela se localiza principalmente nos pulmões (vias aéreas inferiores) e aumenta a gravidade da situação respiratória. Ela não é uma doença contagiosa – como a gripe ou a tuberculose – e pode ser causada, em ordem decrescente de frequência, por: bactérias (mais recorrente em adultos), vírus (mais comum em bebês), fungos e parasitas. Assim que a pneumonia é diagnosticada, é tratada com antibióticos e tem a duração média de 15 a 20 dias, geralmente. O tratamento das pneumonias bacterianas é feito com antibióticos por, no mínimo, oito dias.

Vale lembrar que os antibióticos são remédios que precisam de um tempo determinado de utilização para fazer o efeito e curar completamente a infecção presente. Muitas pessoas costumam melhorar nos primeiros dias e logo abandonam as outras dosagens, o que não é recomendado.

As pneumonias são divididas em comunitárias e hospitalares. São comunitárias quando adquiridas no dia-a-dia, e hospitalares quando surgem em pacientes já hospitalizados. A hospitalar é mais grave e mais difícil de tratar, pois é normalmente causada por bactérias mais resistentes e acomete pacientes mais fragilizados e com imunidade baixa. As pneumonias comunitárias podem ser tratadas com antibióticos orais, porém aquelas que evoluem mal necessitam de internação hospitalar e antibióticos venoso.

Felipe Pizzolato, 28, clínico geral, atualmente trabalha em postos de saúde e atende muitos casos de gripe e até pneumonia. “O sono desregulado, sedentarismo, cigarro, bebidas alcoólicas, má alimentação e obesidade, são fatores que desencadeiam a baixa na imunidade do corpo e abrem espaço para essas infecções”, explica o médico. Pizzolato diz que as pessoas costumam achar que a gripe não é uma doença séria e que sumirá assim como um resfriado, e assim se automedicam de maneira equivocada. “Antibiótico nunca é recomendado em quadros de resfriado ou de gripe, por essas duas infecções são virais”, esclarece. Ele recomenda o uso de antibiótico apenas em afecções de origem bacteriana, como as pneumonias, e que deve ser receitado por um médico que analise a situação do paciente e sinta necessidade de um tratamento com esse tipo de medicação.

É visível a semelhança entre resfriado, gripe e pneumonia nos principais sintomas, mas analisando atentamente é possível perceber que a duração do mal-estar e outros detalhes fazem a diferença na hora do tratamento mais adequado para cada um deles.

O cuidado com a saúde é fundamental para um sistema imunológico mais forte e resistente. O nosso pulmão sofre uma exposição frequente a micróbios do ar e da nossa própria flora bacteriana da boca e por isso já tem seus próprios mecanismos de defesa. Esses mecanismos incluem células do sistema imune e microscópicos cílios na árvore brônquica que não deixam os agentes invasores permanecerem nas vias respiratórias.

Uma pessoa que tenha o hábito de fumar, por exemplo, já apresenta uma irritação constante de toda árvore brônquica e disfunção dos cílios protetores. O cigarro afeta as células de defesa pulmonar e já não funcionam tão bem, favorecendo o aparecimento de infecções.

Por tudo isso, é de extrema importância que as pessoas prestem atenção aos sintomas e procurem o tratamento indicado. Os resfriados são menos graves, mas nem por isso devem ser deixados de lado. A gripe é uma doença seríssima, preste atenção e se houver alguma alteração nos sintomas mais comuns, procure um médico. Não permita que um descuido com a saúde coloque sua vida em risco!

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