Os infinitos de um esquizofrênico

Dificuldade em marcar distinções entre experiências internas e externas e entre o real e o imaginário são alguns dos sintomas da esquizofrenia

Martha Steffens e João Marcelo Faxina

O esquizofrênico constitui um mundo delirante que se torna a base de sua existência (Foto: Priscila da Silveira)

A esquizofrenia é um transtorno mental crônico grave que é mais frequentemente diagnosticado durante a fase adulta inicial. De acordo com as primeiras edições do DSM (Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais), o início deveria ocorrer antes dos 45 anos, mas já na sua quarta edição o manual não especifica uma faixa etária para o diagnóstico. O termo esquizofrenia refere-se a um conjunto de transtornos que abrange os mais complexos e assustadores sintomas já encontrados na literatura médica.

I. M., 43 anos, tem esquizofrenia há 12, e assim descreve as primeiras manifestações do transtorno: “Comecei ouvindo vozes, tinha alucinações, ficava meio perdido, isso confundia a cabeça. Eu ainda ouço vozes, mas no começo era muito mais intenso.” Com todos esses sintomas à flor da pele, ele foi internado no Instituto Psiquiátrico Colônia Santana em Florianópolis. O médico o diagnosticou com esquizofrenia aguda, alcoolismo crônico e depressão profunda. O caso de I. M., contudo, é leve: há relatos de esquizofrenia bem mais graves que o dele.

I.M. procurou ajuda de psiquiatras, psicólogos e tomou a medicação correta. Os efeitos colaterais desses remédios logo no começo eram bem acentuados, ele ficava bastante tonto e tinha muito sono, mas meses depois ele ficou bastante calmo. Nos dois primeiros anos, bebia junto com os remédios, o que prejudicava a eficácia medicamentosa, mas hoje faz dez anos que não bebe mais. I.M. atribui os transtornos mentais à bebida e aos efeitos dela em seu corpo: “Foi sentimento de culpa decorrente da bebida: eu bebia muito, ficava violento e depois me sentia muito culpado e também por depressão mal tratada”. Hoje, ele consegue controlar a esquizofrenia com a medicação correta e apoio da família e profissionais.

Segundo Francieli Backes, psicóloga especializada em Psicologia Clínica Humanista, as causas da esquizofrenia são, ainda, pouco conhecidas, “mas alguns teóricos acreditam que o transtorno tenha causa fisiológica e, como todas as pesquisas mostram, a esquizofrenia decorre de algum problema no sistema nervoso central durante o período do neurodeselvolvimento”, diz ela.

Concomitante ao tratamento medicamentoso, Francieli sugere também o acompanhamento psicológico do esquizofrênico: “Acredito que a abordagem mais eficaz e completa ao tratamento da esquizofrenia é uma combinação de drogas que ajudam com problemas fisiológicos e psicoeducação para ajudar com problemas ambientais e interpessoais, pois sabe-se que as drogas podem prover um tratamento para a esquizofrenia, mas não curam o transtorno”.

Além do esquizofrênico procurar ajuda profissional e tomar o medicamento correto, o apoio da família e sua participação na terapia é muito importante, principalmente quando há recaídas. Nas telonas, filmes como Uma Mente Brilhante (2001) e O Solista (2009) ilustram com fidedignidade a vida e as inquietações de um esquizofrênico.

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