Metade da população gaúcha está acima do peso

O acúmulo de gordura abdominal é um fator de risco para o desenvolvimento e agravamento de outras doenças

Priscila da Silveira

A obesidade é uma doença que já atinge cerca de 16% da população gaúcha, afirma a pesquisa divulgada pela Sociedade de Cardiologia do Rio Grande do Sul (Socergs) em parceria com o Instituto Methodus. O estudo também constatou que 34% dos gaúchos estão na faixa do sobrepeso. Foram entrevistadas 1,5 mil pessoas em 25 municípios gaúchos.

A falta de atividade física regular, dietas inadequadas e o excesso de atividades sedentárias, como ficar durante horas na frente do computador ou televisão, são algumas das causas da obesidade. Os fatores de risco são muitos, incluindo fatores genéticos, psicológicos, psicossociais e culturais.

A obesidade está se tornando um dos mais graves problemas de saúde pública por ser relacionada à hiperlipidemia, hipertensão, hiperinsulinemia e diabetes mellitus, importantes fatores de risco de doenças cardiovasculares e de uma série de outros problemas. Assim sendo, juntamente com a obesidade, o paciente pode trazer uma série de agravantes para a sua saúde.

A suspeita de obesidade pode ser feita com uma simples observação visual. O diagnóstico feito é baseado no conceito de índice de massa corporal (IMC), completado pela medida do perímetro abdominal. No IMC, é calculado o peso divido pelo quadrado da altura em metros. Para confirmar esse diagnóstico, o IMC do paciente deve estar acima de 30 e o perímetro abdominal acima de 102cm nos homens e 88cm nas mulheres. O paciente pode estar com o IMC abaixo de 30 e mesmo assim estar com obesidade, caso o seu perímetro abdominal esteja maior que os números estipulados. O excesso de gordura abdominal é preocupante, e o paciente pode ser tratado como obeso, mesmo se não tenha IMC igual ou maior que 30 (veja os valores ideais no quadro acima).

O médico cardiologista Luiz Franciscatto Sobrinho diz que a obesidade traz embutido uma incidência maior de diabetes e hipertensão arterial sistêmica (pressão alta): “A obesidade é uma doença metabólica, ela é o excesso de acúmulo de células gordurosas. Existe uma predisposição genética nessa doença, mas o grande fator é o ambiental, ou seja, o costume da vida moderna e a alimentação cada vez mais industrializada e elaborada em termos de conter muitas calorias. Felizmente as cirurgias têm dado muito certo em casos de obesidade mórbida, mas é claro que nada é mágico e a pessoa tem que reeducar a sua alimentação.”

Alguns casos de obesidade são resolvidos com a redução de alimentos calóricos, introdução de alimentos saudáveis no cardápio e prática de atividades físicas. O tratamento é difícil, depende da motivação e dedicação do paciente e também da experiência dos profissionais envolvidos, para que eles possam ensinar e ajudar esse paciente a promover mudanças em seus hábitos de vida. Os obesos aprendem a se relacionar com os alimentos de uma forma diferente da que conheciam, buscando saciedade e satisfação no consumo de alimentos mais saudáveis e em menores quantidades.

O obeso deve tentar aumentar o consumo de verduras e legumes em seu cardápio, sem cortar radicalmente doces ou chocolates, apenas consumir essas gulozeimas com moderação. Ao sentir sede uma boa dica é tomar água em vez de líquidos doces e praticar exercícios físicos de 30 minutos pelo menos 4 vezes por semana. Quando o diagnostico de obesidade é feito, várias medidas e mudanças devem ser tomadas, em alguns casos como o de obesidade mórbida, que é considerada quando o IMC está acima de 40, o paciente pode ser submetido a uma cirurgia.

Claudio Bortoluzzi emagreceu mais de 70 quilos depois da cirurgia de redução do estômago (Foto: arquivo pessoal)

Para o advogado e procurador municipal de Frederico Westphalen, Claudio Luis Bortoluzzi, 42 anos, emagrecer foi fundamental para que ele pudesse ver seus filhos crescerem: “Eu estudava no colégio agrícola de Frederico Westphalem – CAFW – e jogava futebol. Comecei a me machucar e parei de jogar bola. A partir desse momento, comecei a engordar. Me casei, comecei a fazer vários regimes e a tomar medicamentos, mas eu ficava no efeito sanfona: em determinados momentos eu perdia peso, depois os ganhava novamente. Eu e minha esposa tivemos o nosso primeiro filho e eu estava exageradamente gordo, fiquei com medo de não ver o meu filho crescer. Estudei vários tipos de cirurgia e optei pela que eu julgava menos prejudicial a minha saúde. A minha escolha foi colocar uma bomba gástrica, que é um sistema de cirurgia de redução de estômago que não precisa de corte e é ajustável. Faz quatro anos e meio que eu fiz a cirurgia e perdi mais de 70 quilos. Hoje em dia jogo futebol e sou uma pessoa mais saudável”.

Mesmo depois de ser submetido à cirurgia, o paciente deve manter o tratamento, com uma alimentação balanceada e com a prática de exercícios físicos. Cada caso de obesidade é tratado de maneira diferente, pois cada paciente tem a sua particularidade. As cirurgias são usadas em casos extremos, em que o acúmulo de gordura no organismo se torna prejudicial à vida.

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