Haja coração!

Coração batendo acelerado? Pode não ser amor

Marciane Hences

Preocupação excessiva dos jovens pode levar a ataques cardíacos (Foto: Shana R. Nazário)

Estressados, fumantes, sedentários, alimentando-se mal, trabalhando mais de oito horas diárias, enfrentando problemas de concorrência no trabalho, com medo de perder o emprego e desajustar as finanças. Seriam esses os problemas que levam cada vez mais pessoas, na faixa etária entre 20 e 40 anos, a sofrer infartos do miocárdio? Segundo demonstram as pesquisas realizadas na área da saúde dos brasileiros, sim, esses são os principais fatores de risco.

Além disso, a preocupação excessiva com o futuro, a falta de apoio familiar adequado e um consumismo exagerado, todos são fatores pessoais, familiares, sociais, econômicos e profissionais, que originam a sensação de estresse e um consequente desencadeamento de doenças que podem ocasionar doenças do coração.

O estilo de vida moderna

Conforme o médico cardiologista, Luiz André Damiani, a vida moderna contribui para desencadear esse processo. Os jovens passam a enfrentar o mercado de trabalho cada vez mais cedo. Rotinas exaustivas e pressão dos chefes  são fatores que causam ansiedade e levam a um nível de estresse muito grande, devido ao esforço emocional e físico.

Segundo a definição do cardiologista Damiani, estresse é uma reação fisiológica do organismo, preparando o corpo para enfrentar uma situação de esforço. Em seu consultório, o atendimento a jovens, geralmente com palpitações, dores no peito, taquicardia e insônia cresce cada vez mais.

Uso da tecnologia

A tecnologia favorece que esta situação da vida cotidiana aflore com mais nitidez. Celular, iPod, MP4 e, principalmente, a internet, são instrumentos cada vez mais utilizados pelos jovens. Dessa forma, o uso das redes sociais cria uma falsa realidade, onde a impressão que se tem é que todas as pessoas são belas e felizes. A internet também favorece que os jovens conheçam um estilo de vida diferente do seu, que talvez jamais conseguirão alcançar, gerando certa frustração.

A mídia também contribui para que exista um consumismo exacerbado. O Big Brother, por exemplo, cria um padrão de beleza, onde todos os participantes têm corpos esculturais e são bem sucedidos. Todos querem ser ricos e famosos. A beleza e a juventude são supervalorizadas, em detrimento de outros valores que deixaram de ser importantes.

O cigarro é um dos maiores vilões

Os infartados abaixo de 40 anos já respondem por 20% dos casos, e as características dos pacientes são semelhantes: jovens que fumam, com histórico familiar de doença coronariana, muitos obesos, sedentários e estressados. A razão para isso é que os jovens estão cada vez mais atarefados, além de trabalharem muito e terem responsabilidades mais intensas do que antigamente. A maioria dos que sofrem infarto são homens, concluem as pesquisas.

“Hoje o jovem entra para o mercado de trabalho muito cedo e passa por um grande estresse. Esse foi o principal fator de risco, além dos antecedentes familiares”, afirma Damiani.

O consumismo

Os jovens vêm valorizando o ter, e não o ser. Todos querem dinheiro, o carro do ano, um bom apartamento e o emprego dos sonhos. A beleza também passou a ser requisito fundamental para a felicidade. “Todos querem ter o corpo da Gisele Bündchen, mas nem a própria irmã dela conseguiu’’, brinca o médico.

Dessa forma, há uma carga social muito grande. Além da autocobrança de cada um quanto às expectativas para o futuro, há uma cobrança também da sociedade, que exige que o jovem seja bem sucedido, caso ele não atenda a essas expectativas, é considerado um fracassado.

Já que diminuir o ritmo da vida é difícil, a saída é realizar exames, que oferecem um diagnóstico precoce. Damiani dá algumas dicas para desacelerar seu ritmo de vida. A pessoa deve se perguntar: “O que quero para minha vida?”, “Quais são minhas prioridades?’’. E, a partir daí, estabelecer metas para o futuro. Tenha fé, acredite em algo. Cultivar a espiritualidade também contribui para o equilíbrio emocional. Por fim, aprenda a valorizar as pequenas coisas que a vida oferece. Lembre-se de que nem sempre o que é bom para os outros vai te fazer feliz.

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