Ergonomia: bem-estar no trabalho

Ambientes compatíveis com as características físicas de cada pessoa garantem um melhor rendimento em suas atividades

Shana Rocha Nazário

A postura errada é resultado de um ambiente não planejado (Foto: Marcielle Martins)

Cada pessoa possui particularidades físicas e, por isso, é importante um ambiente de trabalho projetado especialmente pensando nessas limitações. A ergonomia deriva do grego Ergon (trabalho) e nomos (normas, leis, regras) e trata-se de uma disciplina orientada a uma melhor interação das pessoas com os outros elementos ou sistemas, com o objetivo de melhorar o bem estar humano na realização das atividades e também nas horas de lazer.

Uma pessoa que trabalha em um escritório, por exemplo, deve ter uma mesa adaptada para que não fique debruçada sobre ela e nem muito abaixo, forçando os braços para cima. A cadeira deve ser regulada de acordo com a sua altura e ter um encosto para as costas e braços de modo que fique confortável, sem sobrecarregar a coluna. São detalhes que parecem muito óbvios e que no dia a dia passam despercebidos, mas causam dores e problemas no futuro.

A fisioterapeuta Mercedita Piana Marquardt, 29, especialista em Podoposturologia (método de correção de desequilíbrios corporais relacionados à postura e a disfunções ortopédicas), complementa que, além das medidas de cadeira, mesa e monitor, existe o fator luminosidade: “a luminosidade deve ser adequada também, pois isso pode fazer com que a pessoa altere sua postura para poder enxergar”. A Associação Brasileira de Normas e Técnicas (ABNT) enfatiza a relevância do conforto visual e sua influência na produtividade e qualidade final do trabalho. Na norma de 2004, é determinada a quantidade mínima de iluminação para cada tipo de atividade. Segundo a ABNT, “seguir esta normatização é apenas o primeiro passo para se ter um ambiente saudável neste sentido. Na seqüência deve vir a preocupação com a localização dos postos de trabalho em relação às luminárias e janelas. Deve-se ainda estar atento às diferenças entre colaboradores destros e canhotos que ocuparão os postos.” A dica é consultar um engenheiro especialista em segurança do trabalho. Para visualizar o documento na íntegra clique aqui.

Marquardt ainda cita como exemplo o filme Tempos Modernos (1936), do cineasta britânico Charlie Chaplin, que retrata a questão de movimentos repetitivos e fadiga muscular ocasionada por uma falta de estrutura planejada . Nesse filme, o operário acaba enlouquecendo por ser submetido ao ritmo e velocidade nas funções (repetitivas) de uma linha de produção. Assista a um trecho do filme clicando aqui.

O stress do operário ilustra o que ocorre quando o trabalho não obedece aos princípios da ergonomia, que serve justamente para melhorar essa relação do homem e máquina sem prejudicar a produtividade.

“Os arquitetos possuem aulas de ergonomia e projetam ambientes ótimos, mas ainda é importante que as pessoas criem hábitos saudáveis, pois não adianta ter um ambiente ergonômico se a pessoa passar oito horas digitando, o nosso corpo necessita descansar, assim como fazer alongamentos diariamente”, diz a fisioterapeuta.

Fisioterapeuta Mercedita Marquardt realiza avaliação em paciente (Foto: Giovane Lima)

A questão da ergonomia na arquitetura é um item fundamental para garantia do bem-estar em ambientes de trabalho, o mobiliário deve ser especificado considerando não apenas o papel estético, mas também o funcional.

O arquiteto Moacir Junior Ortiz, 26, fala sobre um procedimento padrão “para maioria dos arquitetos antes de projetar analisa-se a Norma Regulamentadora 17 – NR17 (norma encontrada na legislação do Ministério do Trabalho) que é especifica para ergonomia”. Para Ortiz, em todos os projetos o ambiente deve ser modelado com atenção à ergonomia e regras básicas para o atendimento pleno da atividade desempenhada, levando em conta as características físicas de cada pessoa. O arquiteto ainda cita Ernst Neufert (A arte de projetar em Arquitetura, 1965) como um grande autor nessa área.

Algumas universidades adotam disciplinas específicas sobre ergonomia, o que é considerado mais apropriado, oferecendo uma visão mais ampla e histórica aos estudantes. Outras abordam o assunto em determinadas disciplinas de projeto, incluindo a ergonomia diretamente na prática dos estudos.

A ergonomia é fundamental para o bem estar, conforto e saúde do nosso corpo, por isso devemos dar mais atenção às regras, e respeitar nossas condições de trabalho, não exagerar em uma mesma posição e descansar nos horários de intervalo. É uma atitude de prevenção que devemos ter, porque com saúde, sabemos que não se brinca e nem se descuida!

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