Os benefícios da psicoterapia

Cuidar da mente pode melhorar a auto-estima e a confiança

Priscila da Silveira

Samantha clinica há seis anos (Foto: Priscila da Silveira)

“Psicologia é bem-estar. A gente se organiza para tantas coisas, cuidamos do nosso corpo, fazemos exercícios físicos, por que não cuidar da nossa mente?”. A indagação da psicóloga Samantha Chielle, 29, cabe especialmente às pessoas que encontram resistências muito simples, como não ter tempo ou dinheiro para gastar com tratamentos considerados desnecessários. Afinal, quem nunca ouviu falar que frequentar sessões de terapia é coisa de gente rica e desocupada?

A Universidade Regional Integrada (URI), de Frederico Westphalen, lança no mercado de trabalho, anualmente, cerca de 20 profissionais formados, que irão migrar para as mais diversas áreas da psicologia. O curso da URI tem ênfase na psicologia clínica, escolar, organizacional e  social institucional. O mercado de trabalho, para a psicologia, é amplo, e está em expansão. A área clínica é considerada, por muitos, uma das mais difíceis de ingressar, pois o retorno não é imediato e os pacientes podem oscilar de um mês para o outro.

Para Fernanda Grendene, 33, professora da URI e mestre em psicologia clínica, o psicólogo pode intervir onde existe sofrimento. Em se tratando da psicologia clínica, o tratamento não está ligado somente a questões de psicopatologias, mas também de autoconhecimento. Fernanda trabalha há três anos na docência e diz que a maior dificuldade encontrada no curso é quando surgem pessoas que ingressam na universidade para tratar de questões pessoais, pensando que lá irão encontrar a solução para seus problemas. “Devemos entender que o curso forma psicólogos, não estamos lá para ajudar e resolver problemas pessoais”, declara Fernanda.

Professora Fernanda Grendene trabalhando com a turma do 5º semestre (Foto: Priscila da Silveira)

A estudante de Psicologia Juliana Claro, 19, pretende seguir a área hospitalar, cuidando do tratamento psicológico de pacientes. Ela vê o mercado de trabalho para o profissional formado como algo amplo, em que várias opções podem ser seguidas. Além do estudo, Juliana também faz acompanhamento com uma psicóloga – o que é muito recomendado pelos professores – e diz que isso é fundamental para que possa começar seu estágio. “Eu faço psicoterapia há um ano, isso contribui porque você começa a ver na faculdade muitas questões de psicopatologias. Para você atender bem um paciente, você tem que estar bem resolvido com as tuas coisas, para que isso não venha a interferir durante seu trabalho como profissional”,  conta Juliana. Tanto a terapia individual quanto a supervisão de casos são importantes para que o profissional tenha uma visão neutra.

Muitas pessoas passam por experiências traumáticas, como o fim de um relacionamento, o filho que sai morar fora ou, até mesmo, casos mais graves, como estupro ou doenças terminais. Para os psicólogos, cada caso é um caso, e as particularidades se sobressaem. O bancário Fernando Scalcon, 23, frequentava sessões de terapia quando era criança, pois era hiperativo. Ele encerrou o tratamento pela liberação da psicóloga, após dois anos. Ano passado, voltou a frequentar sessões de terapia pela indicação de uma amiga, por problemas profissionais, amorosos e de saúde. “Com o andamento do tratamento, comecei a enfrentar meus problemas com mais facilidade, aprendendo a ter uma visão diferente deles. Muitas dúvidas que antes eu tinha em relação aos meus problemas foram solucionadas e tiradas nas sessões, além de aumentar minha auto-estima e auto-confiança”, diz ele.

O objetivo das sessões depende muito da demanda trazida pelo paciente, a partir disso é traçada uma linha de trabalho. Geralmente, quando as pessoas começam a buscar tratamento é porque alguma coisa já está incomodando, dificilmente elas chegam procurando apenas o autoconhecimento. Por diversas vezes, a ajuda profissional é o último recurso a ser procurado, quando todos os outros já se esgotaram.

Para Samantha, a procura pela terapia parte, principalmente, da necessidade de resolver um problema bastante urgente. Dificilmente surge da intenção de decidir alguma coisa a longo prazo ou do intuito de se autoconhecer. Samantha acrescenta que procurar ajuda de um psicólogo nem sempre é uma decisão fácil, pois o paciente deve estar disposto a sempre cutucar na ferida, ou seja, relatar tudo aquilo que lhe incomoda e lhe faz mal. “É através do relato dos pacientes que observamos o que não está bem. Nem sempre o paciente consegue trazer o motivo do atendimento de forma clara. Existe o motivo latente, aquilo que está por trás, e o motivo manifesto, aquilo que o paciente consegue relatar”, diz ela.

Nas questões que inquietam a vida e a alma, nem sempre é aconselhável resolver tudo sozinho. No dia a dia fazemos escolhas, tomamos decisões e agimos de diversas maneiras, para que possamos saber porque nos mobilizamos de certa forma é que existe esse profissional. São em sessões com psicólogos que nos livramos de preconceitos, resolvemos questões que nos atormentam e nos libertamos das amarras da vida.

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Uma resposta a Os benefícios da psicoterapia

  1. Fernando diz:

    Priscila, ótima matéria! Parabéns!

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