O perigo dentro de casa

O que fazer, e o que deixar de lado, em casos de acidentes domésticos

Priscila da Silveira

Materias de limpeza devem estar fora do alcance de crianças e animais domésticos (Foto: Priscila da Silveira)

Indispensáveis para deixar a casa livre da sujeira, o material de limpeza pode ser o grande vilão dos acidentes domésticos. O descuido com detergentes, águas sanitárias ou mesmo com aquele cabo de panela que fica em contato com a chama do fogão pode causar ferimentos que deixarão marcas para o resto da vida.

O alerta para esses cuidados não vem de hoje, mas o descuido ainda toma conta de muitas residências, como conta a advogada Perla Rocha, 29, que teve o rosto queimado enquanto passava álcool no fogão: “eu estava passando um paninho com álcool no meu fogão, que é do modelo cooktop, aqueles com a parte de cima apenas do fogareiro, e o botão parecia estar desligado, mas na verdade estava ligado no mínimo. O frasco de álcool que eu segurava pegou fogo, e a chama atingiu meu rosto, queimando minha boca, o queixo e o pescoço. Como era uma emergência, na hora acabei comprando uma pomada para queimaduras leves. Mais tarde fui consultar um médico ”.

Em relação à profundidade do ferimento, existem três tipos de queimaduras: primeiro, segundo e terceiro graus. A queimadura de primeiro grau deixa a pele apenas avermelhada e é típica de queimaduras solares. A de segundo grau tem como característica a formação de bolhas; a de terceiro, considerada a mais grave, atinge todas as camadas da pele, podendo se estender até músculos e ossos.

Apesar do descuido, a sorte de Perla foi ter sua mãe por perto para ajudá-la, enquanto parte de seu corpo e roupas queimavam. Segundo o médico Eduardo Franciscatto, 30, em casos de queimadura, a primeira atitude a ser tomada deve ser lavar o ferimento com água corrente. Depois, um médico deverá ser consultado para averiguar qual o grau da queimadura e indicar o tratamento adequado. Independente do grau, é importante lavar bem o local atingido e evitar crenças populares e sem comprovação científica – como pasta de dente, clara de ovo e café, pois essas substâncias podem infeccionar o local.

A depiladora Alda Juçara César de Almeida, 52, teve parte do braço queimado enquanto preparava puxa-puxa. Na época, ela tinha apenas 11 anos, mas as marcas estão em seu corpo até hoje: “Peguei um puxa-puxa pronto do balde de água, foi quando uma vizinha soltou o açúcar de cana quente no meu braço. Fiquei assustada e, como no interior a gente não tinha recurso, a mãe acabava colocando pasta de dente e clara de ovo no queimado. Esse ferimento acabou infeccionando, chegou até a aparecer um pedaço do osso”, conta Alda.

A infecção se dá poucos dias depois do acidente, quando o ferimento não é tratado e fica exposto. Normalmente, o machucado começa a transpirar,  mas também pode expelir secreção leitosa ou amarelo-esverdeada. Outros sinais de infecção são sistêmicos, como vermelhidão no alo em volta do eritema (ferimento), dor, calor local e febre. Muitas vezes, pomadas são fundamentais para que o ferimento não infeccione e, também, para potencializar a cicatrização.

As bolhas são características das queimaduras de segundo grau (Foto: Priscila da Silveira)

Substâncias básicas podem ser tão nocivas quanto os ácidos. Produtos para desentupir ralos e pias, que apresentam pH básico, quando misturados à água fervente pode até levar à cegueira. “Em qualquer caso de acidente doméstico com a parte ocular, o primeiro procedimento a ser tomado é lavar os olhos exaustivamente durante, no mínimo, 20 minutos” recomenda Franciscatto.

Os casos de ingestão de líquidos ou sólidos tendem a ser mais complicados, pois o metabolismo pode rejeitar rapidamente o líquido ou objeto em questão, podendo causar a morte se não tratado com urgência. Em casos de ingestão de líquidos, a pessoa não deve ser induzida ao vômito ou tomar leite. O que se deve fazer é, no máximo, lavar a boca e, logo em seguida, procurar atendimento médico, de preferência com o rótulo da embalagem do produto ingerido em mãos.

Em se tratando de ingestão de sólidos, também não é aconselhável induzir ao vômito, pois há risco de engasgamento. “Eu atendi a alguns casos de crianças que engoliram um objeto estranho como, por exemplo, moeda ou pedaços de brinquedo. A primeira medida a ser tomada é fazer um raio X para ver onde está localizado o objeto. O risco está quando esse material vai para a traquéia, pois a criança pode ter uma parada respiratória. Nesses casos, nós fazemos uma fibrocolonoscopia, onde pinçamos o objeto para retirá-lo. A gente nunca induz ao vômito, geralmente a criança vai evacuar o objeto”, conta Franciscatto.

Em se tratando de acidentes domésticos, é importante deixar de lado algumas crenças antigas, pois elas podem acabar agravando a situação. A procura de um médico é imprescindível para que seja avaliada a gravidade do ferimento e, a partir disso, prescrito um tratamento. Em todos os casos, o que deve prevalecer é a prevenção, por isso não deixe produtos de limpeza ao alcance de crianças e animais domésticos e manuseie com cuidado qualquer utensílio perigoso.

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