O poder das lentes

Elas oferecem maior qualidade à visão, mas há contra-indicações

Priscila da Silveira

Lentes de contato: melhor qualidade de visão (Foto: Priscila da Silveira)

Seja por uma leitura mal feita ou pelo não-reconhecimento de alguém que está do outro lado da rua, as pessoas geralmente percebem quando ocorrem alterações em sua visão. Alguns problemas, porém, poderiam ser melhor corrigidos se diagnosticados a tempo, mas muitos só irão recorrer ao uso de lentes quando a visão já estiver debilitada. A consulta ao oftalmologista deve ser realizada ainda nos primeiros meses de vida. Após esse primeiro diagnóstico, o paciente deverá voltar ao consultório anualmente para uma revisão.

As lentes de contato são muito procuradas, tanto pela qualidade que oferecem à visão quanto pela estética. O público mais jovem as prefere pois elas os livram das armações pesadas e das lentes grossas dos óculos. Muitas vezes, quanto mais elevado o grau mais indicado é o uso das lentes de contato, pois a qualidade de visão melhora, devido a lente de contato estar mais próxima do olho, diferentemente dos óculos de grau, que ficam mais afastados. Entretanto, segundo o oftalmologista Mauri Niederauer, algumas patologias, como alergias ou conjuntivite, contra-indicam o uso das lentes de contato: “um paciente que tem conjuntivite papilar gigante possui a pálpebra superior com umas papilas grandes que arrastam a lente, fazendo com que elas não parem no olho. Então, só o médico poderá examinar e dizer se a pessoa pode ou não usar lentes de contato”, explica Niedaurer.

As maiores causas de rejeição às lentes são alergias ao material que são fabricadas ou lentes mal adaptadas. As populares lentes de contato coloridas são contra-indicadas porque podem, a longo prazo, causar problemas de visão: “o paciente que quer brincar até pode usar, mas esporadicamente. A lente colorida, por ser pintada, oxigena menos o olho. Com isso, a córnea sofre, pois ela não regenera as células. Se você usa uma lente colorida, oxigena menos o seu olho e começa a perder essas células. Quando chegar a uma certa idade, vai precisar de um transplante de córnea”, comenta o oftalmologista. A troca de oxigênio com a córnea se dá muito pelo ar e não somente pelas lágrimas, então, a lente de contato tem que ser permeável, pois quanto maior sua permeabilidade, melhor é a respiração/oxigenação da córnea, e mais durabilidade terá a lente.

Existem diversos tipos de lentes e com peridiocidades diferentes. As lentes de contato descartáveis de uso diário são usadas no período de 24h e depois são jogadas fora. Outras lentes, de uso prolongado, são usadas durante sete dias seguidos sem tirar para dormir, assim como as lentes de 15 e  45 dias. No consultório do oftalmologista Mauri são usadas lentes de uso prolongado, aquelas de sete dias. Elas, porém, podem durar até um ano se forem retiradas todas as noites. Como nem todos os problemas são solucionados com a lente de contato, alguns pacientes precisam de outros tratamentos, como o anel de ferrara (pequena argola que é colocada no olho para mudar sua curvatura) ou o transplante de córnea.

Oftalmogista Mauri realizando exame de refração (Foto: Priscila da Silveira)

A universitária Isabella Mayer de Moura, 20, não consultou um oftalmologista quando quis deixar de lado os óculos: “tenho que admitir que não consultei um médico. Fui em uma ótica de Santo Augusto, fiz um tipo de avaliação e me receitaram uma lente de contato gelatinosa e descartável, que a própria ótica encomendava de um laboratório de São Paulo. Com isso, eu acabei abandonando os óculos de vez, mas nunca me senti totalmente confortável com as lentes”, conta a estudante.

Isabella usa lentes de contato desde 2008, mas apenas em 2010 resolveu consultar um oftalmologista. A irritação com as lentes, o uso constante de colírio e o tempo que ela ficava em frente ao computador foram os principais motivos que a levaram a procurar esse profissional. O médico aconselhou a estudante a intercalar o uso de óculos e de lentes de contato, e também tirá-las para dormir.

Uma das dúvidas frequentes é sobre o uso das lentes de contato em piscinas ou no banho. Elas podem ser usadas em ambos locais, porém a piscina é um lugar contaminado, então não é aconselhável mergulhar com elas. Até mesmo o excesso de cloro pode irritar o olho, causando coceira e deixando o olho avermelhado.

Exame de visão como ato médico

Nas óticas de Frederico Westphalen, os óculos de grau são vendidos apenas com prescrição médica. A receita fica arquivada na ótica para comprovar que o recinto está fazendo uso de práticas legais, e para que o cliente possa adquirir a lente da mesma graduação quantas vezes julgar necessário.

A profissão de optometrista é reconhecida pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e pelo Ministério da Educação (MEC), entretanto, não é regulamentada. De acordo com o decreto nº 20.931/32 e o decreto nº 24.492/1934, o profissional formado não pode receitar lentes e ter consultório, por ser ato privativo médico. O optometrista só pode, então, confeccionar e reparar danos em lentes de grau.

Lentes de contato também são comercializadas em clínicas (Foto: Priscila da Silveira)

O empresário Julio Fontoura, 38, proprietário de uma ótica, conta que fez o curso técnico em ótica e chegou a cursar o tecnólogo em optometria: “acredito que, em termos de refração, que é o exame que determina o grau do olho (ilustrado na foto acima), o optometrista tem um maior conhecimento e estudo. Os médicos alegam  que eles fazem um exame mais completo, de fundo de olho, mas os optometristas têm condições de fazer isso, mesmo sem dilatar a pupila, pois existem técnicas para fazer o exame de fundo de olho para detectar uma diabetes, um glaucoma. Se o optometrista diagnosticou, por exemplo, um problema de glaucoma, a partir daí ele encaminha para um oftalmologista”, diz Fontoura.

A classe dos oftalmologistas diz que esse profissional só está habilitado à fabricação de lentes e montagem de óculos. Atender, prescrever  e diagnosticar é função exclusiva do oftalmologista. Um de seus argumentos, afora outros já citados, é de que esse profissional que atua basicamente em óticas poderá receitar o uso de lentes de grau pelo simples intuito de vendê-las. É o que hoje acontece nos consultórios: muitos oftalmologistas também as comercializam.

Algumas óticas, inclusive, não vendem lentes de contato, apenas lentes de grau para óculos. Segundo um comerciante que não quer ser identificado, as lentes de contato são de venda exclusiva dos oftalmologistas: “não trabalhamos com lentes de contato. Aqui é uma cidade pequena e o médico oftalmologista comercializa as lentes e nós não queremos concorrência com eles. As receitas de óculos de grau que fazemos são dadas por oftalmologistas, então, para não haver uma contra-indicação de qualquer médico, nós preferimos não vender”, afirma o comerciante.

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