Comportamento

Academia ao ar livre: liberdade demais?

(publicado em 25/05/2011)

Frequentadores não passam por avaliação médica ou orientação para utilizar os aparelhos

João Marcelo Faxina

Usuários estão à espera de profissional (Foto: João Marcelo Faxina)

Em Frederico Westphalen, elas são três: uma na Praça da Matriz, outra na Barril e a última no distrito Osvaldo Cruz. As academias ao ar livre fazem parte do programa do governo federal Brasil Saudável, projeto que ainda em 2005 começou a planejar ações que visam à mudança de alguns hábitos dos brasileiros, como o sedentarismo e o tabagismo. Em parceria com o governo estadual, foram instaladas as três academias que hoje funcionam na cidade, e há previsões de mais duas, ainda sem local definido.

A mais popular delas é a da Praça da Matriz. Nos finais de tarde e fins de semana, o movimento é grande. As reclamações, também. A principal delas é a carência de um profissional para orientação à atividade física. Os aparelhos não apresentam sobrepeso, ou seja, o usuário se exercita utilizando o peso do próprio corpo. Mesmo assim, e deve-se pensar que eles foram, inicialmente, direcionados à terceira idade, a falta de auxílio compromete o benefício dessa atividade. Um exercício executado de forma errada não só pode comprometer os efeitos benéficos da prática, como também reforçar complicações que o usuário já apresenta.

A presença de um profissional e de uma avaliação médica é, em alguns casos, imprescindível. Para Luciano Panosso da Silva, 40, professor universitário especialista em programação de exercício físico, todos podem realizar alguma atividade física, mas alguns possuem restrições: “em relação às pessoas que necessitam de alguns cuidados – idosos, pessoas hipertensas, cardiopatas – que, realmente, é o grande público que vem frequentar a academia, nesse caso seria interesante ter um profissional orientando. Pessoas de 35 a 40 anos, uma vez aprendendo a fazer a atividade física, não necessariamente precisariam ter um acompanhamento”, explica o professor.

A professora de educação física da terceira idade Márcia Vicari, 39, é quem faz o trabalho junto à academia. Para ela, os idosos estão bem assistidos: “os idosos não usam sem orientação porque eu sou a professora de atividade física dos idosos. O idoso que me procurou, que faz parte das oficinas, faz parte de nossos programas  bem orientado. Esse eu garanto. Agora, se de repente algum idoso que não chegou até nós, ou que veio de outro município, foi lá e praticou um pouquinho, eu também não posso responder por eles”, afirma a professora.

A utilização dos equipamentos por crianças e a falta de manutenção dos aparelhos também fazem parte das reclamações dos usuários. A manutenção cabe à Prefeitura, que terceiriza o serviço a uma empresa de Chapecó (SC). Edson Borba, 32, coordenador de projetos, afirma que ainda nesta semana a Prefeitura e a empresa realizarão uma vistoria no local e consertarão os equipamentos defeituosos. Confira, na reportagem de Luiz Fernando Barp, o que dizem os usuários e os responsáveis pelas academias ao ar livre de Frederico Westphalen:

Palavras cruzadas aumentam o raciocínio

(publicado em 14/06/2011)

De passatempo à estimulante cerebral (Foto: Shana Nazário)

Normalmente as pessoas querem descansar a mente de outros assuntos e utilizam as palavras cruzadas para se distrair, sem pensar primeiramente nos benefícios que terão ao fazer associações para chegar às respostas. Esse passatempo, entretanto, está sendo recomendado por clínicos que tratam pacientes com mal de Alzheimer e na reabilitação cognitiva. A justificativa pela escolha dessa  atividade é que ela exige memória, trabalha a linguagem, a atenção e também planejamento para encaixar as respostas nos espaços determinados.

“Embora a aprendizagem seja mais fácil na infância, o cérebro não para de se desenvolver, mesmo em idade avançada”. É o que diz o neurologista Oliver Sacks que recentemente apresentou em seu artigo, no jornal The New York Times, a capacidade do cérebro de aprender coisas novas. Sacks é citado na edição especial nº 27 da revista Mente e Cérebro, que traz como assunto especial a memória.

Para o neurologista, toda vez que desempenhamos alguma habilidade já conhecida ou aprendemos uma nova, as conexões neurais se reforçam e, ao longo do tempo, os neurônios criam mais conexões com outros neurônios.

O cérebro, assim como os músculos de nosso corpo, precisa ser exercitado e receber estímulos. As palavras cruzadas são uma boa pedida!

Vamos ficar com ele?

(publicado em 23/05/2011)

A adoção consciente beneficia não só animal e dono, mas também a sáude da população

João Marcelo Faxina e Shana Rocha Nazário

Cachorro nas ruas de Frederico Westphalen (Foto: João Marcelo Faxina)

Os animais que circulam pelas ruas de Frederico Westphalen oferecem riscos à segurança e à saúde da população. Eles, porém, também são vítimas: das pessoas que os maltratam, da falta de iniciativa municipal para controlar sua reprodução e tirá-los das ruas, e até da natureza que os fez animais, e assim não lhes deu condições de se proteger. A conscientização da população deve ser o primeiro passo para que uma mudança de comportamento aconteça.

Os cachorros de rua, também chamados de vira-latas ou sem raça definida (SRD), devem ser tratados para evitar a proliferação da leptospirose (transmitida pela urina do animal), da raiva (através da mordida do animal infectado), da sarna e de ectoparasitas (como piolhos, pulgas e carrapatos).  A tuberculose pode ser transmitida pelas secreções de respiração do animal, e a transmissão da brucelose acontece principalmente pelo contato com secreções vaginais e restos de placenta durante o parto. A micose também se dá através do contato direto, embora tenha um nível baixo de contaminação devido à imunidade natural que as pessoas e animais apresentam a ela. Já as verminoses são transmitidas, principalmente, pelo contato com fezes contaminadas ou com alimentos contaminados com fezes. É o caso do bicho geográfico, por exemplo, comum em regiões litorâneas.

O veterinário Vitor Severo, 27, diz que é muito raro o contágio da sarna pelos humanos, pois o agente da doença não sobrevive na pele humana por muitos dias. A leishmaniose (doença que, através da picada do mosquito conhecido por mosquito-palha, contamina o animal), embora já tenha assombrado o estado nos últimos anos, é mais recorrente nas regiões norte e nordeste do Brasil. Severo explica que a melhor forma de evitar que os cachorros fiquem nas ruas contraindo doenças é fazendo tratamentos para verminoses e ectoparasitas periodicamente. É importante alimentá-los com ração e alimentos de qualidade específicos para cães e manter boas condições de higiene. O veterinário dá algumas dicas para que as pessoas não se contaminem com doenças dos animais, sejam eles domésticos ou de rua:

  • Não compartilhe cama e alimentos com os animais
  • Evite carinhos, como beijos e/ou lambidas, muito próximos ao rosto (lábios, nariz e olhos)
  • Vacine os animais para as doenças que possuem vacina preventiva
  • Vermifugue os animais periodicamente
  • Recolha rapidamente as fezes e a urina dos animais (não as deixando expostas a moscas e ao contato humano) e desinfete adequadamente o local
  • Evite acúmulo de lixos

Os cachorros de rua também oferecem risco à segurança da população, atacando pedestres, ciclistas e, principalmente, crianças. Elas são alvos fáceis pois não percebem o perigo de muitos animais. A estudante Gabriella Belle, 21, conta que, em alguns dias, há um cão bravo em frente ao seu prédio, que late e corre atrás dos passantes. “Uma noite eu voltava pra casa e esse cachorro de  rua começou a latir pra mim. Parei por um tempo e, conforme eu caminhava, ele vinha mais em minha direção. Fiquei esperando que ele se ele afastasse, mas ele continuou rosnando. Tentei me esquivar, mas quando percebi que ele ia mesmo me atacar saí correndo. Entrei em casa com ele logo atrás”, conta a estudante.

É importante que a comunidade tenha conhecimento dessas doenças e do perigo que os animais de rua oferecem a sua saúde para que ocorra um amadurecimento em relação ao abandono de animais. Essa é a proposta da Associação Melhores Amigos dos Animais (AMAA), organização que surgiu no ano passado e que, mesmo sem uma sede física, vem desempenhando um importante papel para a mudança desse cenário. A ONG recolhe os animais da rua, os trata, castra e oferece à adoção. Quem não quer ter um animalzinho em casa também pode ajudar custeando a castração de um animal de rua através do projeto “Padrinhos da castração”. Visite o blog da AMAA e saiba como participar.

Uma gata castrada: menos 160 gatinhos (Foto: João Marcelo Faxina)

A conta é simples: uma gata tem cerca de quatro cios por ano. Cada um deles origina, em média, quatro filhotes. Se a gata viver dez anos, ela colocará 160 gatinhos nas ruas. Isso sem contar a reprodução que seus netos, bisnetos e tataranetos empreenderão pela cidade. Se considerarmos o parâmetro anterior, da gata original até seus tataranetos serão 40.960 gatinhos à procura de um lar. Se todos esses felinos fossem adotados apenas por frederiquenses, teríamos 1,42* gato por habitante, ou seja, uma situação improvável. Por isto a castração é importante: interrompe o crescimento desordenado de cães e gatos, diminui a proliferação de doenças e aumenta a chance de todos os animais terem um dono.

A presidente da AMAA, Sonia Salete Paim, 49, diz que a associação está aberta à participação da comunidade frederiquense, seja através de doações ou de trabalho voluntário. As reuniões da ONG acontecem nas primeiras quintas-feiras de cada mês, às 19h30min, na Câmara de Vereadores. E, no primeiro sábado do mês, há o Brechó e Feira de Adoção na Praça da Matriz.

Os animais de rua podem ser ótimos companheiros. Tirá-los do abandono não beneficia apenas quem os adota, mas também a saúde da população. Quem já possui um animal em casa pode fazer a sua parte, recolhendo as fezes e mantendo o ambiente sempre limpo. A banalização de algumas situações faz com que as pessoas minimizem as necessidades desses animais abandonados. Eles necessitam, sim, de água e comida, mas precisamos enxergar além disso.

 * Para esse cálculo, foi utilizado o número de habitantes do Censo 2010

Os benefícios da psicoterapia

(publicado em 13/04/2011)

Cuidar da mente pode melhorar a auto-estima e a confiança

Priscila da Silveira

Samantha clinica há seis anos e acredita na eficácia dos tratamentos psicológicos (Foto: Priscila da Silveira)

“Psicologia é bem-estar. A gente se organiza para tantas coisas, cuidamos do nosso corpo, fazemos exercícios físicos, por que não cuidar da nossa mente?”. A indagação da psicóloga Samantha Chielle, 29, cabe especialmente às pessoas que encontram resistências muito simples, como não ter tempo ou dinheiro para gastar com tratamentos considerados desnecessários. Afinal, quem nunca ouviu falar que frequentar sessões de terapia é coisa de gente rica e desocupada?

A Universidade Regional Integrada (URI), de Frederico Westphalen, lança no mercado de trabalho, anualmente, cerca de 20 profissionais formados, que irão migrar para as mais diversas áreas da psicologia. O curso da URI tem ênfase na psicologia clínica, escolar, organizacional e  social institucional. O mercado de trabalho, para a psicologia, é amplo, e está em expansão. A área clínica é considerada, por muitos, uma das mais difíceis de ingressar, pois o retorno não é imediato e os pacientes podem oscilar de um mês para o outro.

Para Fernanda Grendene, 33, professora da URI e mestre em psicologia clínica, o psicólogo pode intervir onde existe sofrimento. Em se tratando da psicologia clínica, o tratamento não está ligado somente a questões de psicopatologias, mas também de autoconhecimento. Fernanda trabalha há três anos na docência e diz que a maior dificuldade encontrada no curso é quando surgem pessoas que ingressam na universidade para tratar de questões pessoais, pensando que lá irão encontrar a solução para seus problemas. “Devemos entender que o curso forma psicólogos, não estamos lá para ajudar e resolver problemas pessoais”, declara Fernanda.

Professora Fernanda Grendene trabalhando com a turma do 5º semestre (Foto: Priscila da Silveira)

A estudante de Psicologia Juliana Claro, 19, pretende seguir a área hospitalar, cuidando do tratamento psicológico de pacientes. Ela vê o mercado de trabalho para o profissional formado como algo amplo, em que várias opções podem ser seguidas. Além do estudo, Juliana também faz acompanhamento com uma psicóloga – o que é muito recomendado pelos professores – e diz que isso é fundamental para que possa começar seu estágio. “Eu faço psicoterapia há um ano, isso contribui porque você começa a ver na faculdade muitas questões de psicopatologias. Para você atender bem um paciente, você tem que estar bem resolvido com as tuas coisas, para que isso não venha a interferir durante seu trabalho como profissional”,  conta Juliana. Tanto a terapia individual quanto a supervisão de casos são importantes para que o profissional tenha uma visão neutra.

Muitas pessoas passam por experiências traumáticas, como o fim de um relacionamento, o filho que sai morar fora ou, até mesmo, casos mais graves, como estupro ou doenças terminais. Para os psicólogos, cada caso é um caso, e as particularidades se sobressaem. O bancário Fernando Scalcon, 23, frequentava sessões de terapia quando era criança, pois era hiperativo. Ele encerrou o tratamento pela liberação da psicóloga, após dois anos. Ano passado, voltou a frequentar sessões de terapia pela indicação de uma amiga, por problemas profissionais, amorosos e de saúde. “Com o andamento do tratamento, comecei a enfrentar meus problemas com mais facilidade, aprendendo a ter uma visão diferente deles. Muitas dúvidas que antes eu tinha em relação aos meus problemas foram solucionadas e tiradas nas sessões, além de aumentar minha auto-estima e auto-confiança”, diz ele.

O objetivo das sessões depende muito da demanda trazida pelo paciente, a partir disso é traçada uma linha de trabalho. Geralmente, quando as pessoas começam a buscar tratamento é porque alguma coisa já está incomodando, dificilmente elas chegam procurando apenas o autoconhecimento. Por diversas vezes, a ajuda profissional é o último recurso a ser procurado, quando todos os outros já se esgotaram.

Para Samantha, a procura pela terapia parte, principalmente, da necessidade de resolver um problema bastante urgente. Dificilmente surge da intenção de decidir alguma coisa a longo prazo ou do intuito de se autoconhecer. Samantha acrescenta que procurar ajuda de um psicólogo nem sempre é uma decisão fácil, pois o paciente deve estar disposto a sempre cutucar na ferida, ou seja, relatar tudo aquilo que lhe incomoda e lhe faz mal. “É através do relato dos pacientes que observamos o que não está bem. Nem sempre o paciente consegue trazer o motivo do atendimento de forma clara. Existe o motivo latente, aquilo que está por trás, e o motivo manifesto, aquilo que o paciente consegue relatar”, diz ela.

Nas questões que inquietam a vida e a alma, nem sempre é aconselhável resolver tudo sozinho. No dia a dia fazemos escolhas, tomamos decisões e agimos de diversas maneiras, para que possamos saber porque nos mobilizamos de certa forma é que existe esse profissional. São em sessões com psicólogos que nos livramos de preconceitos, resolvemos questões que nos atormentam e nos libertamos das amarras da vida.

Ergonomia: bem-estar no trabalho

(publicado em 25/03/2011)

Ambientes compatíveis com as características físicas de cada pessoa garantem um melhor rendimento em suas atividades

Shana Rocha Nazário

A postura errada é resultado de um ambiente não planejado (Foto: Marcielle Martins)

Cada pessoa possui particularidades físicas e, por isso, é importante um ambiente de trabalho projetado especialmente pensando nessas limitações. A ergonomia deriva do grego Ergon (trabalho) e nomos(normas, leis, regras) e trata-se de uma disciplina orientada a uma melhor interação das pessoas com os outros elementos ou sistemas, com o objetivo de melhorar o bem estar humano na realização das atividades e também nas horas de lazer.

Uma pessoa que trabalha em um escritório, por exemplo, deve ter uma mesa adaptada para que não fique debruçada sobre ela e nem muito abaixo, forçando os braços para cima. A cadeira deve ser regulada de acordo com a sua altura e ter um encosto para as costas e braços de modo que fique confortável, sem sobrecarregar a coluna. São detalhes que parecem muito óbvios e que no dia a dia passam despercebidos, mas causam dores e problemas no futuro.

A fisioterapeuta Mercedita Piana Marquardt, 29, especialista em Podoposturologia (método de correção de desequilíbrios corporais relacionados à postura e a disfunções ortopédicas), complementa que, além das medidas de cadeira, mesa e monitor, existe o fator luminosidade: “a luminosidade deve ser adequada também, pois isso pode fazer com que a pessoa altere sua postura para poder enxergar”. A Associação Brasileira de Normas e Técnicas (ABNT) enfatiza a relevância do conforto visual e sua influência na produtividade e qualidade final do trabalho. Na norma de 2004, é determinada a quantidade mínima de iluminação para cada tipo de atividade. Segundo a ABNT, “seguir esta normatização é apenas o primeiro passo para se ter um ambiente saudável neste sentido. Na seqüência deve vir a preocupação com a localização dos postos de trabalho em relação às luminárias e janelas. Deve-se ainda estar atento às diferenças entre colaboradores destros e canhotos que ocuparão os postos.” A dica é consultar um engenheiro especialista em segurança do trabalho. Para visualizar o documento na íntegra clique aqui.

Marquardt ainda cita como exemplo o filme Tempos Modernos (1936), do cineasta britânico Charlie Chaplin, que retrata a questão de movimentos repetitivos e fadiga muscular ocasionada por uma falta de estrutura planejada . Nesse filme, o operário acaba enlouquecendo por ser submetido ao ritmo e velocidade nas funções (repetitivas) de uma linha de produção. Assista a um trecho do filme clicando aqui.

O stress do operário ilustra o que ocorre quando o trabalho não obedece aos princípios da ergonomia, que serve justamente para melhorar essa relação do homem e máquina sem prejudicar a produtividade.

“Os arquitetos possuem aulas de ergonomia e projetam ambientes ótimos, mas ainda é importante que as pessoas criem hábitos saudáveis, pois não adianta ter um ambiente ergonômico se a pessoa passar oito horas digitando, o nosso corpo necessita descansar, assim como fazer alongamentos diariamente”, diz a fisioterapeuta.

Fisioterapeuta Mercedita Marquardt realiza avaliação em paciente (Foto: Giovane Lima)

A questão da ergonomia na arquitetura é um item fundamental para garantia do bem-estar em ambientes de trabalho, o mobiliário deve ser especificado considerando não apenas o papel estético, mas também o funcional.

O arquiteto Moacir Junior Ortiz, 26, fala sobre um procedimento padrão “para maioria dos arquitetos antes de projetar analisa-se a Norma Regulamentadora 17 – NR17 (norma encontrada na legislação do Ministério do Trabalho) que é especifica para ergonomia”. Para Ortiz, em todos os projetos o ambiente deve ser modelado com atenção à ergonomia e regras básicas para o atendimento pleno da atividade desempenhada, levando em conta as características físicas de cada pessoa. O arquiteto ainda cita Ernst Neufert (A arte de projetar em Arquitetura, 1965) como um grande autor nessa área.

Algumas universidades adotam disciplinas específicas sobre ergonomia, o que é considerado mais apropriado, oferecendo uma visão mais ampla e histórica aos estudantes. Outras abordam o assunto em determinadas disciplinas de projeto, incluindo a ergonomia diretamente na prática dos estudos.

A ergonomia é fundamental para o bem estar, conforto e saúde do nosso corpo, por isso devemos dar mais atenção às regras, e respeitar nossas condições de trabalho, não exagerar em uma mesma posição e descansar nos horários de intervalo. É uma atitude de prevenção que devemos ter, porque com saúde, sabemos que não se brinca e nem se descuida!

Haja coração!

(publicado em 14/03/2011)

Coração batendo acelerado? Pode não ser amor

Marciane Hences

Preocupação excessiva dos jovens pode levar a ataques cardíacos (Foto: Shana R. Nazário)

Estressados, fumantes, sedentários, alimentando-se mal, trabalhando mais de oito horas diárias, enfrentando problemas de concorrência no trabalho, com medo de perder o emprego e desajustar as finanças. Seriam esses os problemas que levam cada vez mais pessoas, na faixa etária entre 20 e 40 anos, a sofrer infartos do miocárdio? Segundo demonstram as pesquisas realizadas na área da saúde dos brasileiros, sim, esses são os principais fatores de risco.

Além disso, a preocupação excessiva com o futuro, a falta de apoio familiar adequado e um consumismo exagerado, todos são fatores pessoais, familiares, sociais, econômicos e profissionais, que originam a sensação de estresse e um consequente desencadeamento de doenças que podem ocasionar doenças do coração.

O estilo de vida moderna

Conforme o médico cardiologista, Luiz André Damiani, a vida moderna contribui para desencadear esse processo. Os jovens passam a enfrentar o mercado de trabalho cada vez mais cedo. Rotinas exaustivas e pressão dos chefes  são fatores que causam ansiedade e levam a um nível de estresse muito grande, devido ao esforço emocional e físico.

Segundo a definição do cardiologista Damiani, estresse é uma reação fisiológica do organismo, preparando o corpo para enfrentar uma situação de esforço. Em seu consultório, o atendimento a jovens, geralmente com palpitações, dores no peito, taquicardia e insônia cresce cada vez mais.

Uso da tecnologia

A tecnologia favorece que esta situação da vida cotidiana aflore com mais nitidez. Celular, iPod, MP4 e, principalmente, a internet, são instrumentos cada vez mais utilizados pelos jovens. Dessa forma, o uso das redes sociais cria uma falsa realidade, onde a impressão que se tem é que todas as pessoas são belas e felizes. A internet também favorece que os jovens conheçam um estilo de vida diferente do seu, que talvez jamais conseguirão alcançar, gerando certa frustração.

A mídia também contribui para que exista um consumismo exacerbado. O Big Brother, por exemplo, cria um padrão de beleza, onde todos os participantes têm corpos esculturais e são bem sucedidos. Todos querem ser ricos e famosos. A beleza e a juventude são supervalorizadas, em detrimento de outros valores que deixaram de ser importantes.

O cigarro é um dos maiores vilões

Os infartados abaixo de 40 anos já respondem por 20% dos casos, e as características dos pacientes são semelhantes: jovens que fumam, com histórico familiar de doença coronariana, muitos obesos, sedentários e estressados. A razão para isso é que os jovens estão cada vez mais atarefados, além de trabalharem muito e terem responsabilidades mais intensas do que antigamente. A maioria dos que sofrem infarto são homens, concluem as pesquisas.

“Hoje o jovem entra para o mercado de trabalho muito cedo e passa por um grande estresse. Esse foi o principal fator de risco, além dos antecedentes familiares”, afirma Damiani.

O consumismo

Os jovens vêm valorizando o ter, e não o ser. Todos querem dinheiro, o carro do ano, um bom apartamento e o emprego dos sonhos. A beleza também passou a ser requisito fundamental para a felicidade. “Todos querem ter o corpo da Gisele Bündchen, mas nem a própria irmã dela conseguiu’’, brinca o médico.

Dessa forma, há uma carga social muito grande. Além da autocobrança de cada um quanto às expectativas para o futuro, há uma cobrança também da sociedade, que exige que o jovem seja bem sucedido, caso ele não atenda a essas expectativas, é considerado um fracassado.

Já que diminuir o ritmo da vida é difícil, a saída é realizar exames, que oferecem um diagnóstico precoce. Damiani dá algumas dicas para desacelerar seu ritmo de vida. A pessoa deve se perguntar: “O que quero para minha vida?”, “Quais são minhas prioridades?’’. E, a partir daí, estabelecer metas para o futuro. Tenha fé, acredite em algo. Cultivar a espiritualidade também contribui para o equilíbrio emocional. Por fim, aprenda a valorizar as pequenas coisas que a vida oferece. Lembre-se de que nem sempre o que é bom para os outros vai te fazer feliz.

Idosos encontram saúde e prazer na atividade física

(publicado em 27/10/2010)

Os exercícios físicos também trazem benefícios à saúde mental dos idosos

Luiz Fernando Barp

A academia é uma alternativa para melhorar o condicionamento físico (Foto: Luiz Fernando Barp)

Segundo estudos, a expectativa de vida do idoso brasileiro vem sofrendo um significante acréscimo. Isso está acontecendo pela melhoria na qualidade de vida daqueles que já chegaram à terceira idade. A realização de exercícios físicos contribui muito para que a população consiga alcançar a velhice em boa forma.

O advogado aposentado Tarso Trombeta, 60, encontrou na academia uma alternativa para melhorar seu condicionamento físico. Desde outubro do ano de 2003, ele realiza regularmente exercícios de musculação. De acordo com o aposentado, após passar por um complicado tratamento pulmonar, foram as atividades físicas que contribuíram para que ele conquistasse novamente a resistência perdida com o passar dos anos.

O médico clínico geral Cláudio Fortes aconselha que, antes de praticar exercícios físicos, deve-se buscar orientação médica a fim de que sejam realizados exames para definir quais são as atividades mais adequadas ao organismo do idoso. “Nós temos que conhecer a parte física dele, principalmente a parte cardíaca, para saber qual tipo de exercício ele está apto, para deixarmos que ele faça” afirma ele.

Confira no vídeo abaixo a íntegra da entrevista cedida por Fortes:

Os infinitos de um esquizofrênico

(publicado em 21/09/2010)

Dificuldade em marcar distinções entre experiências internas e externas e entre o real e o imaginário são alguns dos sintomas da esquizofrenia

João Marcelo Faxina e Martha Steffens

O esquizofrênico constitui um mundo delirante que se torna a base de sua existência (Foto: Priscila da Silveira)

A esquizofrenia é um transtorno mental crônico grave que é mais frequentemente diagnosticado durante a fase adulta inicial. De acordo com as primeiras edições do DSM (Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais), o início deveria ocorrer antes dos 45 anos, mas já na sua quarta edição o manual não especifica uma faixa etária para o diagnóstico. O termo esquizofrenia refere-se a um conjunto de transtornos que abrange os mais complexos e assustadores sintomas já encontrados na literatura médica.

I. M., 43 anos, tem esquizofrenia há 12, e assim descreve as primeiras manifestações do transtorno: “Comecei ouvindo vozes, tinha alucinações, ficava meio perdido, isso confundia a cabeça. Eu ainda ouço vozes, mas no começo era muito mais intenso.” Com todos esses sintomas à flor da pele, ele foi internado no Instituto Psiquiátrico Colônia Santana em Florianópolis. O médico o diagnosticou com esquizofrenia aguda, alcoolismo crônico e depressão profunda. O caso de I. M., contudo, é leve: há relatos de esquizofrenia bem mais graves que o dele.

I.M. procurou ajuda de psiquiatras, psicólogos e tomou a medicação correta. Os efeitos colaterais desses remédios logo no começo eram bem acentuados, ele ficava bastante tonto e tinha muito sono, mas meses depois ele ficou bastante calmo. Nos dois primeiros anos, bebia junto com os remédios, o que prejudicava a eficácia medicamentosa, mas hoje faz dez anos que não bebe mais. I.M. atribui os transtornos mentais à bebida e aos efeitos dela em seu corpo: “Foi sentimento de culpa decorrente da bebida: eu bebia muito, ficava violento e depois me sentia muito culpado e também por depressão mal tratada”. Hoje, ele consegue controlar a esquizofrenia com a medicação correta e apoio da família e profissionais.

Segundo Francieli Backes, psicóloga especializada em Psicologia Clínica Humanista, as causas da esquizofrenia são, ainda, pouco conhecidas, “mas alguns teóricos acreditam que o transtorno tenha causa fisiológica e, como todas as pesquisas mostram, a esquizofrenia decorre de algum problema no sistema nervoso central durante o período do neurodeselvolvimento”, diz ela.

Concomitante ao tratamento medicamentoso, Francieli sugere também o acompanhamento psicológico do esquizofrênico: “Acredito que a abordagem mais eficaz e completa ao tratamento da esquizofrenia é uma combinação de drogas que ajudam com problemas fisiológicos e psicoeducação para ajudar com problemas ambientais e interpessoais, pois sabe-se que as drogas podem prover um tratamento para a esquizofrenia, mas não curam o transtorno”.

Além do esquizofrênico procurar ajuda profissional e tomar o medicamento correto, o apoio da família e sua participação na terapia é muito importante, principalmente quando há recaídas. Nas telonas, filmes como Uma Mente Brilhante (2001) e O Solista (2009) ilustram com fidedignidade a vida e as inquietações de um esquizofrênico.

Piercings podem trazer riscos à saúde

(publicado em 12/09/2010)

Condições de higiene precárias e reações adversas do corpo são as principais complicações do uso de piercing

Luiz Fernando Barp

A estudante Camila Araújo exibe sua coleção de piercings (Foto: Luiz Fernado Barp)

O body piercing transformou-se num dos maiores símbolos da liberdade de expressão e de estilo entre os jovens nos últimos anos. Camila Araújo, 20, estudante de Jornalismo, possui 4 piercings e 2 alargadores em seu corpo. A  jovem aderiu à moda com 14 anos para se sentir inserida num estilo rock’n roll. Ela e milhares de jovens do país carregam adornos de aço cirúrgico em seus corpos, mas muitos não sabem que eles podem ser porta de entrada para infecções e doenças.

piercer (colocador de piercing), Simone da Cruz, 25, conversou com o Prosa e Prozac sobre os cuidados que se deve tomar durante o processo de perfuração: “Colocam-se as luvas, abre-se o esterilizador e tira-se o material para a incisão. O cliente fica sentado enquanto é feito o trabalho. Não há gritos e nem sangue. O processo é rápido”, diz ela.

Contudo, o farmacêutico Robson Borba, 24, alerta que os piercings oferecem riscos, principalmente relacionados à saúde bucal: “As mucosas são mais suscetíveis a processos infecciosos por serem regiões úmidas. Dessa forma, adeptos podem sofrer traumas dentários – trincas e fraturas -, retrações gengivais, feridas, irritação, alergia e inflamação locais”.

A piercer Simone da Cruz realizando a aplicação da joia (Foto: Luiz Fernado Barp)

Após a perfuração, o ideal é lavar a região com sabonete anti-séptico que possua anestésico local e  bactericida. Robson informa que é necessário usar os produtos até o fim do processo de cicatrização. Aconselha também a alternar o uso do spray com uma solução fisiológica estéril e a mover o piercing enquanto aplica-se o produto para que toda a região perfurada fique protegida.

Alguns cientistas demonstram em seus trabalhos que o uso de piercing na mucosa oral leva a alterações nas células semelhantes a processos do câncer. Porém, esses não são conclusivos. Outro risco é as doenças virais como o HPV (vírus do papiloma humano). Mesmo a possibilidade ser pequena, há casos descritos na literatura. Há riscos de outras doenças infecciosas, como hepatite e sífilis.  Regiões cartilaginosas (parte superior da orelha e nariz) são pobres em vascularização, tornando difícil para organismo combater focos infecciosos.  Essas regiões são mais vulneráveis a necroses teciduais; o tratamento, na maioria das vezes, é cirúrgico.

Antes de se submeter a um piercing, procure informações do local. A implantação de qualquer objeto na pele é considerada um procedimento cirúrgico e, como tal, deve estar submetida a criteriosos padrões de higiene. As complicações podem, além de colocar a vida em risco, ser deformantes em alguns casos.

Pilates para gestantes

(publicado em 07/09/2010)

Exercícios têm papel importante na gestação e no período pós-parto da mulher

Marcielle Martins

Modalidade de exercícios alonga e fortalece a musculatura das futuras mamães (Foto: Shana R. Nazário)

Durante a gestação, a atividade física é importante para a saúde e bem-estar da mulher, inclusive no período pós-parto. A prática de exercícios pelas gestantes tem a finalidade de diminuir dores na coluna, câimbras, contraturas musculares, desconfortos durante o sono, ganho excessivo de peso e diminuição da tensão gerada pelo parto.

Segundo a fisioterapeuta Deizi Griebeler: “O pilates possibilita à gestante a diminuição de dores musculares, uma vez que músculos encurtados podem ser alongados e relaxados; o fortalecimento suave dos músculos responsáveis pela manutenção da postura; uma melhora na circulação sanguínea, o que previne o aparecimento de varizes de membros inferiores e melhora as condições de irrigação da placenta; o fortalecimento da musculatura abdominal, importante para facilitar o trabalho de parto e evitar que a pelve se desloque muito para frente – causando desconforto na região lombar durante os estágios finais da gravidez – e o fortalecimento da musculatura do períneo, para evitar incontinência urinária futura”.

Além disso, os exercícios de pilates são adaptados a cada fase da gestação e ao período pós-parto. Mulheres que nunca tenham praticado alguma atividade física podem iniciar os exercícios a partir da 12ª semana de gestação, se liberadas pelo ginecologista. À medida que a gravidez avança, os exercícios que promovem alongamento muscular passam a ser prioridade. No último trimestre, a posição em que a mulher se encontra deitada de “barriga para cima” é evitada para não prejudicar a irrigação sanguínea do bebê.

Deizi afirma que após o parto a mulher pode retomar a prática do pilates para fortalecer o abdômen (favorecendo seu retorno ao estado normal), para diminuir dores musculares relacionadas ao posicionamento durante a amamentação e para adquirir condicionamento físico. É importante lembrar que antes de procurar uma clínica de pilates, a gestante deve entrar em contato com seu ginecologista.

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