Medicamentos

Anvisa autoriza aumento no preço de medicamentos

(publicado em 06/04/2011)

Remédios já são vendidos com preços atualizados na maioria das farmácias da cidade

Shana Rocha Nazário

Medicamentos sofrem alterações de até 6,01% nos preços. (Foto: Shana R. Nazário)

Na última quinta-feira, 31, a Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) autorizou o reajuste nos preços dos medicamentos em um percentual médio de 4,7%. A CMED é coordenada pela Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa) e é o órgão responsável pela adoção, implementação e coordenação de atividades relativas à regulação econômica do mercado de medicamentos.

Nem todos os medicamentos sofrerão reajuste: os homeopáticos, fitoterápicos e outros de venda livre não serão submetidos à tabela de preços prevista pela Anvisa. Mas remédios de referência – também conhecidos por ‘éticos’ – os similares e os genéricos já são encontrados na maioria das farmácias com os preços atualizados, com percentual de aumento entre 4,7% até 6,1%. Até o momento, a indústria tem mais de 24 mil medicamentos tabelados, e esses devem seguir a nova norma. Produtos que tenham maior concorrência entre as fórmulas de referência e genéricos sofrerão um aumento maior que os que mantêm uma competição menos significativa, ou seja, medicamentos que têm maior participação de genéricos no mercado terão o maior reajuste, de 6,01%.

Na maioria das farmácias de Frederico Westphalen, já se encontram remédios com os valores atualizados. A farmacêutica Vanessa Marconatto Binotto, 32, comprou medicamentos com o novo preço no último sábado e já atualizou os valores em seu sistema. Os medicamentos que estavam nas prateleiras antes do dia 31 de março, data da oficialização do reajuste, também passam a ser comercializados com a percentagem prevista.

Francine Bins, 25, farmacêutica responsável por uma farmácia de manipulação da cidade, também confirmou a aumento de 6,01% nos medicamentos tabelados e disse que alguns remédios do estoque estão sendo vendidos com o preço antigo porque ainda não houve tempo para reajustar os valores. Em outra farmácia localizada no centro, os preços novos foram aplicados desde sexta-feira, 1º de abril, e a farmacêutica Cristiana Maria Trento, 31, diz que todos os medicamentos do estoque já foram reajustados.

Os remédios de referência devem ser vendidos pelo mesmo preço em todas as farmácias, não podendo ultrapassar o valor estipulado, exceto em casos de convênio de uma farmácia com uma distribuidora em que exista uma margem de desconto, podendo repassar esse desconto para os clientes se assim desejar.

Essa modificação nos preços dos medicamentos é resultado de uma série de fatores, como a inflação ocorrida em março de 2010 a março deste ano de mais ou menos 6,01%, segundo oIndíce de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). O ganho de produtividade da indústria também é calculado nessa correção e fixado em 2,47% na tabela.

Segundo o Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos (Sindusfarma), o reajuste anual fixado pelo governo não acarreta aumentos automáticos nas farmácias e drogarias: os aumentos ocorrerão ao longo do ano e podem até não serem repassados integralmente para todas as farmácias em razão da concorrência acirrada do mercado nacional entre as indústrias e também distribuidoras.

Em algumas farmácias, remédios que já estavam nas prateleiras são comercializados com o valor atualizado (Foto: Shana R. Nazário)

Uma alternativa para quem precisa continuamente de medicação é ir à Farmácia Popular, onde os medicamentos são vendidos por preços mais acessíveis (alguns são até doados). A farmácia faz parte do Programa Farmácia Popular do Brasil, criado pelo Governo Federal para disponibilizar o acesso aos medicamentos para as doenças mais comuns entre os cidadãos. O programa “Aqui tem Farmácia Popular” possui uma rede própria de farmácias populares e também uma parceria com farmácias e drogarias da rede privada.

Em Frederico Westphalen, a Farmácia Popular é localizada na Rua 21 de Abril, 165, em frente ao Posto Municipal de Saúde. O farmacêutico João Francisco Vendruscolo, 27, é o responsável pela farmácia e fala que nos últimos dois anos os medicamentos não sofreram reajuste. Os remédios são vendidos por um preço mais baixo em relação às farmácias convencionais e, desde o dia 14 de fevereiro, em ação da campanha “Saúde não tem preço”, os medicamentos específicos para o tratamento de diabetes e hipertensão são disponibilizados gratuitamente à população.

Para a obtenção destes medicamentos doados pela Farmácia Popular, é preciso uma receita atualizada e documentação (CPF), que valem por um determinado período, umas por 4 meses e outras por um ano, dependendo do tratamento, mas sempre regulada pelo farmacêutico de acordo com o programa. A Farmácia Popular do Brasil de FW possui 95 itens de medicamentos, dos básicos aos de tratamentos mais direcionados.

A dica dada pelo Sindusfarma ao consumidor é fazer pesquisa de preço entre as drogarias, pois existe diferença significativa de um estabelecimento para o outro. É interessante, também, pedir para o médico a receita do genérico do medicamento indicado, pois ele tem um valor mais acessível.

O Centro Municipal de Saúde também possui sua própria farmácia, mas Prosa & Prozacnão conseguiu detalhes sobre seu funcionamento, o que é preciso fazer para retirar medicamentos e que remédios são disponibilizados para a população pois a farmacêutica responsável (no turno da tarde) não quis se identificar e se recusou a dar mais informações.

Sibutramina: a vilã da gordura. E do coração

(publicado em 05/12/2010)

Medicamentos inibidores de apetite podem oferecer riscos à saúde

Luiz Fernando Barp

Os padrões de beleza vigentes exigem a perfeição das mulheres (Foto: Shana R. Nazário)

Uma das grandes preocupações das mulheres são as indesejáveis gordurinhas. Muitas optam, então, por remédios que auxiliam na redução de peso. Medicamentos à base de sibutramina estão na lista dos mais procurados, mas essas drogas oferecem não apenas perda de peso, mas também prejuízos à saúde.

A publicitária Aline Pompermayer, 21 anos, fez uso do medicamento durante dois meses com a intenção de perder alguns quilos adquiridos durante sua gestação. Ela conta que durante o tratamento sentiu o rosto enformigado, mudanças bruscas de humor, enjoo e, principalmente, prisão de ventre. Aline já havia sido informada dos riscos pelo seu médico, entretanto, como muitas brasileiras, ela diz: “Eu precisava emagrecer, não estava conseguindo de outra maneira, e a sibutramina, apesar de tudo, foi o que me ajudou”.

Em janeiro de 2010, a Agência Europeia de Medicamentos proibiu a venda de medicamentos à base de sibutramina. Utilizou como argumento o estudo Sibutramine Cardiovascular Outcomes (SCOUT), que mostrou um crescimento de 16% nas chances de desenvolvimento de problemas cardiovasculares, como infarto do miocárdio, parada cardíaca e derrame entre os pacientes obesos ou com sobrepeso que usam esses medicamentos.

Logo após, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) fez um alerta. No Brasil, pacientes com doenças cardiovasculares são orientados a não fazer uso de nenhum inibidor de apetite à base de sibutramina. Os médicos também foram aconselhados a reavaliar os casos em que o paciente está em tratamento com a substância e tem histórico de alguma doença como diabetes ou hipertensão. A venda ainda não foi proibida, porém os farmacêuticos devem exigir a receita médica antes de fornecer o remédio e, sempre que possível, aconselhar o paciente para que converse com seu médico e busque um novo tratamento.

Segundo nutricionista Fabíula Marina Haag, esses medicamentos em geral fazem com que o apetite diminua, a pessoa coma menos e, consequentemente, perca peso. Contudo, quando o tratamento chegar ao fim volta-se a comer da mesma forma. “Quem necessita emagrecer, precisa reeducar seus hábitos, ingerindo menos calorias do que usamos, ou seja, devemos nos alimentar de uma forma correta e praticar exercícios físicos. Seguindo uma dieta saudável, com acompanhamento de uma nutricionista, realizando mais atividade física, certamente os resultados esperados serão obtidos”, afirma Fabíula.

Medicamento que causa alucinações é vendido sem receita nas farmácias de FW

(publicado em 25/08/10)

O benflogin é um remédio de ação antiinflamatória, porém tem sido usado por jovens e adolescentes como droga alucinógena

Marcielle Martins

Benflogin, o "LSD de faixa vermelha" (Foto: Marciele Martins)

O composto cloridrato de benzidamina, vendido como benflogin, é um antiinflamatório de tarja vermelha, cuja compra só pode ser efetuada através da apresentação da prescrição médica. Porém, no município de Frederico Westphalen, isso não é uma realidade. A equipe do Prosa e Prozac encontrou o medicamento à venda em algumas farmácias do centro da cidade. Em uma delas, por R$ 7,30, a compra foi efetuada. Sem receita médica.

O benflogin está sendo consumido em baladas pelos jovens e adolescentes pois produz efeitos semelhantes aos do ácido lisérgico (LSD), como vertigens e imagens psicodélicas. A superdosagem aliada à ingestão alcoólica aumenta a produção e a liberação da dopamina, hormônio estimulante do sistema nervoso responsável pela percepção da realidade.

Algumas pesquisas desenvolvidas pelo Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid), da Universidade Federal de São Paulo, revelam que os meninos de rua descobriram o remédio por volta de 1993. Os estudantes de classe média começaram a usá-lo quatro anos depois, e agora o uso virou uma mania, sem consequências positivas.

A universitária Ana Maria (nome fictício), 21, abusou dos comprimidos propositalmente e descreve: “Minha experiência com benflogin foi horrível. Tomei com um amigo, não tínhamos nada pra fazer e achamos que nos traria alguma ‘diversão alucinógena’. Foi desastroso. Tive alucinações nada divertidas, fiquei mal do estômago, não consegui comer nem dormir por quase 72 horas. Não definiria de outra forma senão: ato ridículo, infantil e imaturo de procurar por bem estar psiquíco”, declarou Ana.

Paula Hartmann, farmacêutica, alerta: “A dose diária não deve exceder 200mg, pois acima disso poderá causar alucinações. Durante o tratamento via oral, as pessoas mais sensíveis à benzidamina podem apresentar, ainda que raramente, ansiedade, insônia, agitação, convulsões e alterações visuais. Podem ocorrer também manifestações gástricas como náusea e ardor epigástrico”. Exatamente os mesmos sintomas descritos pela universitária, que não precisou  de lavagem gástrica, tratamento usual para os casos de superdosagem do medicamento.